É sobre a jornada e o destino | Resenha sem spoiler de Não trocaria minha jornada por nada
05 maioAlguns amigos me recomendaram as poesias da Maya Angelou, e a curiosidade crescente findou nesse primeiro contato com a autora através de Nã...
05 maio
Alguns amigos me recomendaram as poesias da Maya Angelou, e a curiosidade crescente findou nesse primeiro contato com a autora através de Não trocaria minha jornada por nada. Talvez o título tenha chamado a minha atenção por causa das diversas vezes em que mentalmente me disse que jamais trocaria minha jornada por nada, mesmo com todos os percalços acredito que qualquer outra escolha não teria resultado no que eu sou hoje, mesmo com toda dificuldade prefiro ser como sou. Com esse título já iniciei minha leitura curiosa sobre quais passagens de sua história contaria e como cada uma delas teria moldado a autora e resultado em tudo o que ela foi e segue simbolizando através de seus escritos.
Nessa autobiografia a autora nos convida a ser expectador ao contar recortes de sua vida que não seguem uma lógica linear do tempo. Esse vai e vem temporal é um convite íntimo em uma jornada de autoafirmação, construindo através de retalhos de memória uma complexa mescla de diversas vivências, envolvendo política, história, família, religião e como tudo culmina em quem somos, como nos vemos, como somos percebidos por terceiros e o que vamos deixando por onde passamos.
Obviamente um único livro não seria capaz de sanar toda a minha curiosidade, mas alimentou a vontade de ler mais obras da autora e me fez muito feliz ao perceber que ao escolher diversificar minhas leituras e intencionalmente buscar por autores diferentes e suas diversas narrativas, eu cresço e amadureço em aspectos muito além da consciência histórica e social, crio também um senso de coletividade e uma apreciação do individual que não tem nada de egoísta. Esse livro me fez pensar muito sobre como as vivências individuais ainda conseguem ser coletivas, ao serem construídas com base na vivência com terceiros, ou até mesmo depois de compartilhada a partir da identificação com o acontecido. E essa teia vai conectando o singular a uma pluralidade de memórias, vivências e percepções. Levando para outros aspectos, outro dia vi um vídeo no Instagram sobre não se isolar nos momentos difíceis para não cair em uma espiral individualista, mas buscar um suporte ou "cura" a partir do compartilhamento e esse senso de coletividade. Consequentemente me lembrei desse livro e do Nego Bispo em a terra dá, a terra quer e como eu não encontro essa noção de coletividade em leituras de autores brancos (inclusive o Nego Bispo fala bastante sobre esse rolê). Definitivamente me vejo relendo esse livro em outros momentos da vida.
"A vida é apenas aventuras e, quanto mais cedo nos dermos conta disso, mais depressa vamos poder considerá-la uma arte: levar todas as nossas energias para cada encontro, permanecer flexíveis o bastante para o que pode acontecer e admitir quando o que esperávamos não tiver acontecido."





























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