Essa semana não serei a minha maior inimiga | Desafio Entreblogs: Uma semana comigo

Conheci o    Entreblogs   nas minhas andanças em blogs alheios e achei maravilhoso ter encontrado uma comunidade tão ativa de blogs! Fico n...


Conheci o  Entreblogs  nas minhas andanças em blogs alheios e achei maravilhoso ter encontrado uma comunidade tão ativa de blogs! Fico no grupo do Whatsapp me sentindo um fantasminha lendo tudo e interagindo pouco, mas empolgada com a possibilidade de tantas trocas legais. Fica a minha recomendação para quem tem um blog e deseja amigar, ou para quem quer conhecer novos blogs e não sabe por onde começar. Esse foi o tema de março de 2026, registrei a última semana de abril por motivos de: fui incapaz de registrar antes. Eu sou muito de humanas para não começar essa publicação com uma contextualização, eu juro que parte da procrastinação para escrever esse desafio foi a ideia de que surgiria uma semana divertida para registrar e me deparei com semanas seguidas de trabalho (sim, meu trabalho é estudar, a pesquisa nesse país é feita assim) e apesar de insistentemente bater na tecla de que não sou apenas o trabalho, grande parte de mim é trabalho. Uma das coisas que esquecem de dizer quando escolhemos a profissão por amor, antes de chegar no ponto "trabalhe com o que ama e deixará de amar" vem uma construção meio bizarra de integralidade da coisa, você faz o que ama e tudo que você faz desemborca nessa coisa, por isso a fadiga absurda e a necessidade de buscar por escapes. Por isso, não prometo muitas emoções nessa publicação, apenas prazos apertados e pensamentos aleatórios.

Domingo (26/04)
Parte de mim sente que a semana não começa no domingo, afinal, nem dia útil é. Mas é vivendo o domingo que percebo como a minha semana começa com ele. Eu limpo, cozinho, organizo, lavo e planejo no domingo para que a semana passe da forma mais suave possível. E então é fim de tarde, meu pé segue doendo graças a uma pisada em falso na quinta em meio a chuvas e uma tarde assistindo aula em pé em um museu. Entre uma compressa e outra acabei recebendo uma mensagem do meu orientador marcando uma reunião para terça-feira, resolvi tentar estruturar um artigo para ser submetido até o dia 30/04 (será que eu consegui enviar? será que meu orientador aprovou a ideia? vamos descobrir nos próximos parágrafos!). Como fui um total desastre com a tentativa de bewa, tentei ao menos escrever algo sobre a bienal do livro Bahia que aconteceu na semana anterior e garanti alguma atualização no blog. Para finalizar o dia, voltei a ler Em busca do romance perdido da Karina Heid onde uma arqueóloga acaba em um casamento de mentira para conseguir trabalhar no Egito e acabou escolhendo o outro arqueólogo que é um poço de mau humor. O livro é bem engraçado, e ficou tanto na minha cabeça que acabei sonhando que uma professora me levava para escavar em um deserto, eu estava empolgada mesmo sabendo que a professora iria me abandonar lá.
Meta de ler por 30 minutos: ✅

Segunda-feira (27/04)
Comecei o dia da minha forma favorita: em silêncio. Acredito que não sou a única por aí com esse hábito, mas para mim, as manhãs precisam ser silenciosas e contemplativas, eu literalmente preciso de no mínimo meia hora em silêncio antes de dizer qualquer coisa. Existe algo de meio mágico e meio presente em sentar na cama e ouvir os pássaros, não pensar em muita coisa, talvez agradecer por algo e aos poucos sentir o corpo entrando em funcionalidade e desejando um café fresco. Faz algum tempo que meu café da manhã é acompanhado de Rebelde, a maratona dessa novela está sendo um pequeno evento no meu dia a dia, tento assistir um episódio por dia ao menos e confesso que as vezes me sinto a famosa "criança do tablet" ao fazer todas as refeições acompanhada de uma tela. Por um tempo eu tentei mudar isso, mas cheguei a conclusão de que dos males os menores, passo parte do meu dia cansada com os estudos, meia hora de tela enquanto como é pela minha criança interior (como eu vim parar nesse pensamento?). O resto do dia se desenrolou entre checar e-mails, grupos no WhatsApp, ler textos, corrigir arquivos e lidar com meu novo inimigo: o comitê de ética. Aqui eu quero deixar claro que não tenho nada contra ética e agir de maneira ética, como pesquisadora acredito que isso é o mínimo que se espera, mas estou chocada com a burocracia e a demora em resolver essa etapa. Consegui enviar o que precisava e agora resta esperar um novo parecer. Passei um café no fim da tarde e me dediquei a fazer coisas que gosto como fazer as unhas e tentar editar um vídeo para postar nas redes sociais.
Meta de ler por 30 minutos: ✅

Terça-feira (28/04)
Ok, pode parecer que eu não fiz muito, mas a verdade é que vivi em função da orientação. Passei a manhã pensando o que aconteceria na reunião, repassei meu projeto, listei os tópicos que precisavam ser discutidos, me convenci de que ia ficar tudo bem e que não sou uma impostora e sei exatamente o que estou fazendo. Eu disse que não seria minha maior inimiga essa semana e não serei. Tocou Infinita Highway do Engenheiros do Hawaii no rádio do Uber e o nó que estava se formando no estômago foi se desfazendo. Enquanto a música tocava lembrei de quando ouvi essa mesma música nas idas e vindas entre Bahia e Piauí durante a graduação, quantas horas cantarolei "mas não precisamos saber para onde vamos, nós só precisamos ir"? E exatamente como a música, só fui. Encarando mais um desafio e indo até o fim (outra música do Engenheiros do Hawaii que faz muito sentido para mim). Eis que chega o momento e tudo flui de forma extremamente agradável. Apesar da insegurança, me permiti estar naquela reunião, apesar da pressão dos prazos e a ansiedade crescente, não consigo deixar de lembrar que a quatro anos atrás eu nem tinha coragem de admitir em voz alta que queria estar exatamente onde estou. Finalizei o dia trabalhando no artigo para tentar submeter até quinta-feira.
Meta de ler por 30 minutos: ❌

Quarta-feira (29/04)
Desde que comecei esse mestrado, as quartas estão dedicadas para as aulas. Sim, aulas. O dia todinho. Apesar da energia de descontração e animosidade regada a café e alguns docinhos, a realidade é que no fim da tarde não resta muito além de uma dor de cabeça e uma lista de coisas para fazer e novos textos para ler. O ponto alto foi ter recebido uma encomenda de bolo de rolo e bolo de noiva trazidos por uma colega que estava voltando de Recife.
Meta de ler por 30 minutos: ✅

Quinta-feira (30/04)
Provavelmente a melhor manhã da semana, envolvendo silêncio, café fresquinho e bolo de rolo. Após alguns episódios da novela Rebelde, decidi começar mais uma sessão de estudos. Hoje termina o prazo de submissão do artigo e preciso organizar bastante coisa do texto. Vivi uma missão impossível com um relógio marcando o tempo para a bomba explodir, talvez nem tanto já que a tarde eu precisei e tive tempo de tirar um cochilo para recuperar uma parte dos meus neurônios que estavam pedindo socorro. Não fiquei totalmente contente com o produto final, mas o que faltou estava fora do meu alcance (eu tô falando de você comitê de ética), sinto que essa pesquisa vai ficar um primor depois desse campo! Para acabar com o mistério, deu tempo de submeter o artigo, obviamente em cima da hora o que me deu uma certa nostalgia da graduação onde passar a madrugada escrevendo enquanto ouvia pagodão baiano era a rotina. Ter passado por essa experiência me fez lembrar que eu tenho um ritmo lento para escrever. Aqui no blog eu vou despejando quase como penso, apesar de ainda precisar de uma certa inspiração para escrever sobre algo, é mais fácil por estar no campo das minhas emoções e opiniões. Na escrita acadêmica eu gosto de tomar meu tempo, apesar de ser acadêmico e seguir aquele rigor científico, me permito as liberdades da escrita e tento transformar o texto em um reflexo da minha linha de raciocínio, apesar de falar sobre algo que extrapola a individualidade, ainda tem muito do "eu" no que escrevo. Tenho consciência das escolhas que faço no processo, nos discursos que surgem, no que fica a margem, e vou me encontrando no caminho por estar buscando respostas de perguntas que me fiz quando era criança. Tudo isso é a continuação daqueles dias em que me debruçava no alto dos brinquedos no festejo de Nossa Senhora do Amparo para tentar ver algo das ruínas, ou quando fechava meu olhos e tentava me concentrar no barulho da queda d'água onde sabia que estava o objeto de minha curiosidade.
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Sexta-feira (01/05)
As vezes confesso que acho entediante a rotina envolvendo buscar referências, ler e no mínimo escrever um fichamento. Tá, não o assunto em si, reconheço que vivo o delicioso privilégio de fazer algo que amo, mas quando a rotina se resume a ficar em casa estudando, as coisas ficam repetitivas, sinto que perco um pouco da noção de tempo. Quando começo a sentir essa fadiga, tento fazer outras atividades como o crochê ou a criação de conteúdo. Abrir o Canva e tentar fazer um dump divertido enquanto escuto minha nova playlist de CityPop pode curar onde dói e garante uma boa dose de criatividade. Me dei uma folga e enquanto fazia coisas divertidas, comecei a refletir sobre minha atual rotina, eu tenho uma e gosto bastante da flexibilidade, sinto que poderia estar fazendo algo mais proveitoso disso tudo e listei algumas coisas que quero melhorar, entre elas o fato de que preciso sair sozinha. Isso é uma questão que sempre surge na minha vida e vou adiando o máximo que posso. Ir ao cinema sozinha virou algo prazeroso, no ano passado fui a um show sozinha e foi meio estranho até o show começar. Acho meio engraçado porque amo estar sozinha, mas sair sozinha ainda é estranho, fico me perguntando o que faço sozinha e acabo passando mais tempo conversando com alguém no celular do que descobrindo o que tem para aproveitar na solitude. Definitivamente aceito dicas para melhorar esse lado aventureira solitária.
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Sábado (02/05)
Me dei conta de que abril acabou e eu não li os livros da TBR de abril, além de ter comprado vários livros novos e estar com uma fila gigante de leituras para o mestrado. Por falar em mestrado, preciso entregar a sessão teórica em dois meses e só de pensar uma onda de ansiedade vai se instalando. Passei o sábado organizando os temas que preciso fazer um levantamento bibliográfico, organizei também uma estrutura inicial para a sessão teórica da dissertação e por fim decidi que pegaria leve na TBR de maio, três mangás e o sonho de no meio tempo conseguir finalizar um dos oito livros que estou lendo. Editei a publicação da TBR para o Instagram e confesso que fiquei admirando a ideia genial que tive no ano passado de usar fotos que tiro aleatoriamente nas publicações de TBR. Eu ficava meio triste por nunca postar as fotos, e perceber que acabavam perdidas na galeria, agora o passatempo da fotografia ganhou espaço no passatempo da criação de conteúdo e posso facilmente revisitar esses momentos na minha rede social. Sigo apaixonada pela foto que usei na TBR de abril. Sábado também é o dia de ler Under the oak tree e o capítulo dessa semana foi FINALMENTE o capítulo que eu estava ansiosa para ler no manhwa!
Meta de ler por 30 minutos: ✅

Domingo (03/05)
A semana acabou! Como assim uma semana já passou? Sempre que faço um registro da minha rotina acabo tendo evidências para contestar meu lado sabotador que tenta me fazer acreditar que fui uma total inútil. Posso dizer que não fui minha maior inimiga essa semana, vamos comemorar? Como toda semana, o domingo ficou para as atividades domésticas entre cozinhar feijão e lavar roupa, além de planejar a semana que vai começar tentando manter o equilíbrio para não se deixar levar pela ansiedade e deixar que a minha inimiga me vença. Quero estabelecer uma meta mensal de diversão solitária na rua, talvez visitar algum museu novo, ou conhecer uma cafeteria diferente. No fim da tarde resolvi começar a leitura de um livro que encontrei em um sebo, apesar das condições péssimas, o sumário estava prometendo um conteúdo relevante para a minha pesquisa, infelizmente após uma hora de leitura, todo o mofo venceu e me deixou com uma baita alergia. Vou precisar de um PDF desse livro (o que não é confortável para longas horas de leitura) ou uma caixinha de antialérgico ao lado do marcador de páginas.
Meta de ler por 30 minutos: ✅


Uma semana com as emoções acadêmicas acontecendo e daqui pra frente é a emoção vai atingindo níveis de estresse e ansiedade. Gostei de ter feito esse desafio e eu com certeza estou aceitando orações e desejo de boa sorte xD

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