O dia que o street view me fez chorar #beda2026

Outro dia fui surpreendida por minha irmã com um link direcionando a uma localização no Street View. Ao abrir a página reconheci que era a p...

Outro dia fui surpreendida por minha irmã com um link direcionando a uma localização no Street View. Ao abrir a página reconheci que era a pracinha que ficava em frente ao antigo bar do nosso pai. Ao olhar as mesas organizadas na calçada, lá estava ele tirando o maior cochilo. Era um costume, cochilava religiosamente por aproximadamente uma hora quase todas as tardes. Depois acordava em busca de um cafezinho que por vezes eu mesma servi. Às vezes acabava colocando muito café na xícara e ele sempre retrucava com algum comentário engraçado, então eu fazia algum comentário dramático ao qual ele sempre respondia com uma voz fingindo estar amuado me chamando por um apelido. Quando ele faleceu seis anos após esse registro do Street View, uma das coisas que mais senti medo foi de esquecer a voz do meu pai, de como ele me chamava com um assobio ou como a voz dele soava carinhosa quando tentava fazer um drama parecendo ligeiramente ofendido. Demorou para esse medo passar, levou tempo para entender que essas memórias não desapareceriam. As fotos dos anos seguintes no Street View mostram o deterioramento do lugar, a tinta ficando clara demais, e então descascando. Um pouquinho de mato insistente nos cantos para mostrar que apesar de tudo ainda existe vida ali depois que ele foi embora.

"Quando seu pai morre.
Apesar de não ser a pessoa mais presente, o telefone sempre tocava. Sua voz rouca que por vezes me magoava, hoje faz falta. Quantas histórias engraçadas e trágicas sobre sua infância e adolescência ficaram esquecidas? Quantos sentimentos deixou de expressar, até mesmo os sentimentos por mim... Onde quer que esteja, não se preocupe, se choro é de saudade, mas ainda lembro de sua voz e de seu abraço. Vá, mas vá logo, veja os nossos e mande lembranças. Sofrer nunca combinou com a gente e é por isso que eu sigo em frente. [ trecho retirado de um diário pessoal, 2017]

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11 comments

  1. Oi Vaneza, fiquei com o coração apertado lendo sua postagem. Não consigo imaginar a dor de perder um pai e esse medo de esquecer esses detalhes dele. Imagino a surpresa de ter visto essa imagem dele no street view. <3

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    1. Oi Taís! O dilema que eu tô entre ficar feliz por conseguir transmitir um sentimento com a escrita e o peso de ser um sentimento triste kkkkkk. O luto é um treco difícil, fazem anos mas ainda tá aqui, tem dias que é saudade boa, mas tem outros que é só o coração apertado e vamos vivendo esses momentos, aprendendo a conviver quando eles vêm e vão.

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  2. Oi Vaneza! Imagino que deve ter sido uma emoção muito forte. Faz três meses que perdi meu pai e é algo muito, mas muito, difícil de lidar. Não dá nem para explicar como tudo soa diferente agora. Se cuida. Boa semana!
    Moonlight Books
    @moonlightbooks

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    1. Oi Cida! Meus pêsames flor, eu sei que é bem estranho lidar com essa ausência, espero que você fique bem e encontre nas boas memórias um lugar de conforto <3

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  3. Oi Vaneza.

    Eu chorei junto com você nesse post. Eu não perdi o meu pai, mas as vezes me paro pensando no momento em que ele não esta aqui. E parece ser tão assutador.

    Eu senti um pouco dessa dor misturada com saudade enquanto li o seu post.Com certeza ela não se compara a sua.

    Boa semana! Beijos

    https://mundinhoquaseperfeito.blogspot.com

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    1. Oi Babi! Vai soar ridiculamente clichê mas aproveita os momentos com as pessoas queridas, eu sempre aproveitei o tempo que tive com meu pai e ainda restou tanta coisa não dita.

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  4. Aí menina como você escreve bem! Fiquei emocionada com seu texto e as fotos. Perder alguém que a gente gosta sempre é muito doloroso, um cheiro

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    1. Oi Eliana! Fico feliz que tenha gostado do texto xD
      Eu gosto de escrever mas sempre estou insegura me perguntando se alguém gosta de ler essas coisas kkkkk

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  5. Menina, eu chorei com seu texto.
    Tava dando uma zappeada pelo seu blog e, como você comentou da música do Engenheiros no meu post, decidi ler.
    Eu penso muito se vou esquecer da voz das pessoas quando elas partirem. Eu acho que não, tenho a convicção de que ainda lembro da voz da minha avó. Mas dói tanto quando as coisas vão ficando distantes.
    Um abraço grande pra você!
    Não vou nem falar do Adam Driver porque não combina, é falta de decoro hahahaha
    Um beijo e se cuida!

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    1. Oi Tenie! Botei o povo pra chorar comigo xD
      Essa questão da distancia da memória e a fragilidade dela é uma doideira, com os anos fui perdendo esse medo de esquecer. E o Adam Driver... se existisse orkut nós estariamos numa comunidade sobre ele ser um galã kkkkkkkk.

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