Essa é uma playlist para mulheres barulhentas | Mulheres no rock #beda2026

Quando tento lembrar quando comecei a escutar rock, me vem na memória toda minha adolescência ouvido System of a Down, Guns N’ Roses, Metall...


Quando tento lembrar quando comecei a escutar rock, me vem na memória toda minha adolescência ouvido System of a Down, Guns N’ Roses, Metallica, Iron Maiden, Green Day, Black Veil Brides, entre tantas outras bandas. Então passo para as memórias da infância e vejo Legião Urbana, Raul Seixas, Engenheiros do Hawaii e até mesmo um vinil antigo com uma coletânea de melhores canções do Elvis Presley. Não sei exatamente quando comecei a ouvir esse gênero musical, mas uma coisa eu percebi com essa retrospectiva: é muito homem berrando no meu ouvido.

Então comecei uma nova retrospectiva tentando encontrar bandas com vocal feminino. Na adolescência eu me apaixonei por Nightwish, conheci Babymetal, Paramore, Evanescence, The Pretty Reckless. Já na infância era fã de Pitty e Rita Lee. Elas estavam nas minhas playlists, mas senti que ainda era uma coisa tímida, e de subgêneros pontuais. Me vi querendo mais, olhei para a minha playlist de Rock com sete horas de duração, quase nenhuma mulher e decidi que iria começar uma nova jornada. Como fazer playlist é uma coisa que eu amo, dei inicio com músicas conhecidas e fui deixando o aleatório me guiar. Às vezes surgiam algumas recomendações de amigos, outras vezes o algorítimo do Instagram ou TikTok traziam quase como se tivessem escutando que eu estava buscando por bandas de rock com vocal feminino e subgêneros variados.

Foi assim que surgiu a playlist Mulheres no rock, no início minha busca ficou focada no death e trash metal, pois estava escrevendo minha monografia a base do café e música alta (obviamente no fone de ouvido, pois não sou inconveniente) às três da manhã. São uns quatro anos fazendo essa curadoria, resultando em (até o momento) onze horas de música e algumas bandas que viraram favoritas! Vou deixar meu top 5 e obviamente a playlist na íntegra para quem tiver interesse em ouvir mulheres barulhentas para variar.

Blackbriar

É uma banda holandesa que mistura metal alternativo, gótico e sinfônico, com uma sonoridade cinematográfica que remete a contos de fadas sombrios. As músicas em um geral trabalham na estética gótica, abordando temas como amor, perda e morte de forma teatral. Confesso que das cinco, eu definitivamente escuto mais Blackbriar, e se transformou em trilha sonora obrigatória para minhas leituras de fantasia.


Scene Queen

É um projeto solo que ficou conhecido através das redes sociais e o forte mesmo é pela estética "bimbo core", dando origem a um subgênero que mistura metal core, rock alternativo e pop, unindo tudo isso a uma estética hiper feminina e glamourosa. As músicas costumam confrontar diretamente a misoginia e padrões do próprio meio do metal, usando ironia e humor ácido como armas.


Sinergy

Aqui foi um achado agridoce, foi ótimo conhecer e veio com a tristeza de ser uma banda que encerrou as atividades em 2004. A banda finlandesa de power metal europeu com influência de death metal melódico, foi formada em 1997 deixou três álbuns e a sensação de ter perdido algo muito legal. Eu não posso deixar de mencionar as minhas favoritas: I spit on your grave e um cover de Gimme gimme gimme do ABBA.


Kittie

Duas irmãs em 1999 no Canadá começando a carreira já com o hino Brackish e simplesmente se transformando numa das referências do nu metal e do metal alternativo com uma pegada crua e visceral. As letras trazem angústia adolescente, raiva e temas de empoderamento feminino. Como eu não conheci elas antes? Não faço ideia. Mas a notícia boa é que em 2024 elas voltaram a ativa com álbum novo.


Crypta

Única banda brasileira do top 5, mas chegou até mim com uma jornada extra dentro da grande jornada: cadê as mulheres da cena nacional? Crypta foi uma indicação do meu cunhado quando soube que estava nessa curadoria infinita e fiquei muito animada! A banda de death metal traz letras que fogem dos clichês do gênero com gore e satanismo, trabalhando a morte como conceito de renascimento e ciclos, além de abordar questões sociais e políticas.


A capa da playlist não poderia ser ninguém menos do que a Aggretsuko, minha personagem favorita da Sanrio e uma grande injustiçada por sempre ser esquecida nas votações anuais e nunca ter produtos em lojas (alô, dona Sanrio, menos Hello Kitty e mais Aggretsuko por favor). Enquanto tenta sobreviver a exaustivas jornadas de trabalho com um chefe abusivo, Retsuko encontra no death metal uma forma de expressar as injustiças que sofre no trabalho e a pressão de não ser exatamente o ideal conservador de mulher adulta bem sucedida na sociedade. O anime está finalizado e disponível na Netflix, vale a comédia e reflexões regadas a uma excelente trilha sonora que ganhou álbum.


Obviamente estou aceitando recomendações, pois essa jornada não tem prazo para acabar. A meta esse ano é ter 200 músicas na playlist e faltam 23.

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