10 curiosidades sobre mim | Desafio Entreblogs
23 julhoMais uma publicação com temas da blogagem coletiva proposta pelo pessoal do Entreblogs , pra quem ainda não conhece fica a minha recomendação caso queira participar de uma comunidade na blogosfera ou conhecer novos blogs ativos. Levei um tempão pensando no que poderia listar, me senti um livro aberto tentando encontrar coisas que ainda não compartilhei por aqui. Ri muito (e também fiquei chocada) com algumas curiosidades compartilhadas pelo pessoal do Entreblogs. No meio disso tudo fui puxando pela memória coisas que são mais evidentes/recorrentes na minha vida fora das redes sociais e do bloguinho.
1. Gosto de histórias de fantasmas e tenho histórias ótimas.
Eu me considero uma colecionadora de histórias sobrenaturais, tenho as minhas e amo quando alguém conta histórias próprias ou de alguém próximo. Talvez essa paixão tenha se instalado dentro de mim na infância quando a minha mãe reunia as crianças da família em volta de uma fogueira e contava lendas urbanas que ouviu durante a sua infância, às vezes contava alguns pesadelos que tinha com assombrações. Incontáveis vezes ouvi a história da loira da BR sendo contada e recontada, até ter a chance de conhecer o cemitério que sempre enfiavam nessa história. Se você tiver uma história boa para me contar, eu aceito! Pode deixar nos comentários ou enviar um e-mail na aba de contato, prometo que respondo contando algo interessante.
2. Sou viciada em fazer playlist.
Música sempre fez parte dos meus dias, adorava mexer na vitrola da minha avó e repetir os discos como as melhores do Elvis Presley, O papa é pop do Engenheiros do Hawaii e Dois do Legião Urbana. Tive um MP4 extremamente eclético tocando Edson Gomes, Ivete Sangalo, Guns n' Roses, Nx Zero, Banda Calypso e Calcinha preta. Fui a adolescente que sofria baixando música no 4shared para depois descobrir que era um cover e não a versão original, queimava meus próprios cds com seleções de músicas para cada humor possível de se ter aos 12 anos. Hoje em dia fico refém da praticidade limitante dos streamings e nos últimos tempos tenho sofrido com isso, sentindo cada vez mais saudade de possuir mídias físicas (Malice Mizer você me paga! Custava se render às mídias digitais?). Alguns anos de Spotify me renderam 77 playlists, algumas para um humor específico, outras inspiradas em livros e filmes, seleção por gênero e músicas favoritas de alguns artistas que resultam em uma imersão da discografia. No momento estou me dedicando a três playlists: It's citypop time, onde evidentemente estou reunindo minhas músicas favoritas, e um amigo está participando da curadoria. A segunda playlist é: Favs Banda Calypso, estou revisitando a discografia da banda e tenho escutando bastante enquanto escrevo a dissertação. A terceira playlist é um projeto bem longo: Mulheres no rock, e eu quero futuramente falar sobre essa playlist em uma publicação (quem sabe no BEDA?).
3. Decidi que queria ser arqueóloga na 5ª série.
Quem diria que eu iria mesmo levar tão a sério essa vontade? Lembro que na primeira aula de história a professora começou explicando o surgimento do universo, tem uma frase da Clarice Lispector onde ela diz: "Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim.", e enquanto a professora contava essa história de moléculas que formaram outras moléculas, e então civilizações foram surgindo, me peguei encantada com a tal ciência que estuda o passado e disse sim para o que quer que viesse desse sonho. Dez anos depois eu me matriculei na universidade e embarquei nessa aventura cheia de altos e baixos. Tenho três anos de formada, algumas frustrações acumuladas mas nenhum arrependimento, são impagáveis certos encontros que essa profissão me possibilita, nada mais divertido do que poder compartilhar coisas que amo para pessoas interessadas e curiosas.
4. Tenho um vício em fazer figurinhas no whatsapp.
Para o terror de amigos e familiares, eu considero um dom, uma arte. Meu celular está em ponto de explodir com o tanto de figurinhas, imagens e vídeos que ocupam a memória, mas as figurinhas fazem parte do meu repertório de comunicação, acho que não consigo me expressar virtualmente sem uma figurinha de bichinho fazendo alguma careta, bonecas feias ou derivados de memes que refletem as minhas horas perdidas em redes sociais. Esse passatempo gerou um código de ética onde figurinhas específicas só podem ser usadas com pessoas específicas, gerenciar tudo isso dá um trabalho.
5. A trilha sonora do jogo Skyrim é um sonífero para mim.
Essa curiosidade é bem recente, descobri quando passei um tempo morando com um primo que jogava Skyrim, e toda vez que ele voltava para o jogo, magicamente em alguns minutos eu estava tirando uma soneca. A velocidade em que essa trilha sonora me faz entrar em um sono pesado é absurda! Hoje em dia uso essa questão de forma estratégica, e toda vez que estou com dificuldade de dormir, começo a escutar uma trilha sonora medieval e sou transportada para o além, nem energia para sonhar sobra. Nem chá de camomila consegue esse efeito em mim, essa trilha sonora só perde para um relaxante muscular que tomei uma vez e acordei sentada no chão (sim, eu caí da cama e fiquei dormindo sentada no chão).
6. Talvez você me veja um pouco exaltada ao me deparar com pessoas reclamando que o Elevador Lacerda não tem vista panorâmica.
Tópico sensível. Juro que já bloqueei pessoas aleatórias nas redes sociais por estarem andando no elevador e reclamando que não tem vista panorâmica. Com certeza no século XIX a preocupação de alguém seria garantir uma vista panorâmica. Sobem borbulhinhas de indignação não por uma falta de respeito pela história de quem construiu o elevador, até porque, não dá para respeitar a história de pessoas envolvidas no tráfico de pessoas negras escravizadas. A indignação mesmo fica por conta da falta de noção sobre o lugar que ocupamos em relação a coisas que estão aqui há mais tempo que nós. Um dos males da contemporaneidade é esse senso de invidualismo e uma busca por experiências instagramáveis que limitam percepções temporais ao agora e às trends, até mesmo quando vemos um aumento nas buscas por destinos históricos ou culturais como museus, por trás sempre está um influencer que descobriu um lugar novo que na realidade existe há décadas. E aqui nem quero abrir espaço para leituras de mundo que tem como base referências elitistas, todos são capazes de entrar em contato com materialidades e imaterialidades e fazer a sua própria interpretação com base em referências diversas. Mas não deixo de notar a superficialidade e a falta de curiosidade dentro e fora das redes sociais.
7. Acho engraçado ser lembrada por gostar de One Piece, Crepúsculo e Lana del Rey.
Se eu ganhasse um real toda vez que alguém me mandasse do nada algo sobre One Piece, Crepúsculo e Lana del Rey, eu teria muitos reais. Eu sei que as vezes sou monotemática, e em específico esses três tópicos estão comigo há mais de treze anos. Mas é engraçado pensar que existem coisas que nós gostamos e marcaram tanto a memória de alguém ao ponto de virar uma associação direta.
8. Aprendi a ler mais rápido só porque minha mãe prometeu comprar um gibi quando eu pudesse ler ele.
Aqui vai o que lembro dessa vaga memória, eu devia ter uns 5 ou 6 anos, não lembro exatamente o que a minha mãe ia fazer na banca de revista, mas lembro de acompanhar ela com uma certa frequência, e enquanto ela falava com a atendente, eu ficava olhando os gibis, até que um dia eu pedi que ela comprasse um para mim. A resposta não foi o famoso "na volta a gente compra", mas a constatação de um fato que me abalou com a lógica, afinal, para quê eu queria o gibi se ainda não sabia ler? Não consegui contestar, remoí aquilo por um tempo e decidi que aprenderia a ler o mais rápido possível. Lembro de me dedicar na escola e tentar ler absolutamente tudo que eu via na rua, cada panfleto e placa. Até que um dia (no mesmo ano) li um outdoor para a minha mãe e lembrei a ela que estava me devendo um gibi. Na próxima ida até a banca de revista eu escolhi um volume aleatório do Tio Patinhas e lembro de ter lido incontáveis vezes.
9. Na terceira série tive uma inimiga por causa de um dicionário.
Outro tópico sensível. Não sei se essa memória boa é uma coisa minha ou vem de influências astrológicas de um sol e ascendente em câncer, fato é que eu guardo muita coisa, desde memórias até cacarecos (bem arqueóloga da minha parte). Na terceira série, a professora de português começava a aula com uma dinâmica que tinha lá seu propósito de trabalhar o dicionário e o vocabulário, eu comecei a ver esse momento de encontrar a palavra do dia como uma competição, eu precisava conseguir ao menos um dia ser a primeira a encontrar a palavra no dicionário. Não valia nota, valia uma satisfação pessoal que nunca veio. A maioria das vezes uma menina de cabelo preto que sentava na frente encontrava a palavra primeiro. Toda aula eu tentava, mas aquela menina era mais rápida que eu. Com o passar dos dias fui alimentando uma competição que só existia na minha cabeça, e cada vez que a menina encontrava a palavra primeiro, ia crescendo uma raiva dentro de mim. Até que o ano acabou. Não lembro de ter encontrado uma vez sequer a palavra no dicionário antes daquela menina.
No ano seguinte eu mudei de estado, fui para uma nova escola e toda vez que via um dicionário lembrava com raiva daquela menina. Até que cinco anos se passaram, eu mudei de volta para aquela cidade e fui matriculada na mesma escola onde vivi o terror do dicionário. Lembro que uma das primeiras pessoas que vi na entrada da escola foi a menina de cabelo preto, que estava na mesma turma que eu e continuava sentando na frente. Para a minha felicidade, não houve mais atividades com dicionários, e aos poucos fui enturmando com os colegas até finalmente conhecer a menina de cabelo preto. A reviravolta foi ela ter virado minha amiga e um dia eu confessei para ela a raiva que senti sobre o dicionário. Hoje temos quinze anos de amizade e toda oportunidade que aparece ela conta a história do dicionário. Virou uma piada interna e constantemente sou ameaçada de ganhar um dicionário de presente.
10. Amo falar sozinha
Não faço ideia de quando isso começou, mas quando eu comecei a passar menos tempo sozinha e consequentemente não tinha privacidade para falar sozinha, fui percebendo que não é só um hábito, é uma regulação emocional. Eu converso comigo mesma, respondo meus pensamentos, destrincho situações, questiono em voz alta sentimentos e pensamentos e assim vou tentando construir uma relação melhor comigo. Se um dia me ver falando sozinha, não interrompa, eu estou exatamente onde eu gostaria de estar.




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1 comments
esperando o momento em que ela te presenteará com um dicionário, ela não pode perder essa oportunidade!!11!!1!!!!
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