Vi panetone no supermercado e me assustei | Resumão de julho e o BEDA 2026

Quem deixou o tempo passar tão rápido? Eu já havia percebido essa pressa que por muitas vezes quase passou por cima de mim, e foi nesses mom...

Quem deixou o tempo passar tão rápido? Eu já havia percebido essa pressa que por muitas vezes quase passou por cima de mim, e foi nesses momentos em busca de um respiro que fui percebendo como já estou caminhando para o fim do mestrado, que o ano está na metade e aparentemente a padaria do supermercado está ansiosa para o natal. Esse descolamento da noção de tempo sempre me dá um sentimento ambíguo. Parte de mim esta apavorada com o tempo que não parece suficiente para tantas demandas tentando por vezes lembrar se eu assisti aquela série ano passado ou há três meses atrás. A outra parte fica com a pontada de orgulho por ter dado conta mesmo quando o barco estava afundando e tudo que pude fazer foi me agarrar com unhas e dentes num colete salva-vidas.

Não quero dizer que julho foi caótico, está ficando repetitivo e esses dias eu bem parei para refletir que outro ponto do meu cansaço é não ter marcos divisores de tempo e uma sensação de finalização e recomeço. Veja bem, era para eu ter semestres dividindo o meu ano já que estou na faculdade, acontece que meus semestres têm quatro meses e não seis, e entre eles não tenho recesso. Quando finalizo as entregas das disciplinas, as disciplinas acabam mas a minha pesquisa não. Aí quando pisco já estou matriculada em um novo semestre com novas disciplinas e entregas para a semana seguinte. Preciso de um ano novo no meio do ano, preciso de férias, preciso pular doze ondinhas de branco e fazer pedidos para que o resto do ano seja tranquilo ou passe logo e simplesmente acabe. Mas aí vem o que depois que acabar? Acho que vou deixar esse fio de pensamento para depois. E por falar em fio, lembrei da minha pesquisa. Tenho sentido medo de algo não dar certo, e ansiedade para a qualificação onde a banca vai avaliar o que tenho feito. E se não fiz o suficiente? E se não estiver bom o suficiente? Ao mesmo tempo que essas dúvidas surgem, a empolgação de falar com pessoas sobre ruínas de uma fábrica têxtil do século 19 vai tomando conta e confesso que tenho buscado me apegar mais a essa empolgação do que me deixar levar por uma ansiedade paralisante.

Em julho eu passei por situações complexas envolvendo a vida acadêmica, e não vou dar detalhes pois isso aqui é um site público e a última coisa que preciso é sofrer represálias. Mas não vou deixar de escrever sobre esse processo de amadurecimento. Meu pai era um homem de muitos ditados, e com esses ditados fui adquirindo conhecimentos valiosos. Um dos que ele sempre repetia era que "a vida é uma escola" e a "lei da selva", muito provavelmente ele não aprovaria os ditados com palavrão que tenho usado, mas a lógica é a mesma e em julho eu não só coloquei em prática o que aprendi com as experiências anteriores, como também joguei conforme a lei dos mais fortes e finalizei a situação com um dos meus ditados favoritos "se fazer de morto pra comer o cu do coveiro". Fiz aniversário no início de julho e ao longo do mês percebi que nesses 29 anos uma das coisas mais preciosas que aprendi foi a arte de se fazer de besta mas não ser. Quanto mais a gente percebe o outro, vamos notando como as intenções estão nas entrelinhas, como nada é sem querer e é extremamente necessário saber ser político. No ano passado eu comentei sobre lhaneza na resenha de  Júbilo, memória, noviciado da paixão  da Hilda Hilst e desde então tenho tentado ser mais consciente dessa característica automática de ser sincera e afável com quem não conheço (e nem preciso conhecer para além de alguns dias compartilhados numa sala de aula). Antes tinha um pouco de medo de virar uma pessoa com a personalidade toda fragmentada com base nos lugares que frequento. Hoje em dia tenho encontrado muita paz nessa decisão. Não sinto que deixei de ser quem sou, só tenho me permitido estar em diversos lugares com pessoas sem que tudo me atravesse e ocupe um lugar enorme e sem sentido na minha vida.

Achando que estava pouco, decidi fazer BEDA (blog todo dia em abril/agosto). Em outras publicações já mencionei o pessoal do  Entreblogs  e tem sido muito divertido participar de uma comunidade tão múltipla e engajada da blogosfera, e em julho todo mundo foi visitado pelo espírito da proatividade resultando em um ânimo coletivo para o BEDA dando origem ao  D & B - Os Guardiões da Blogosfera . Eu gostaria de publicar todos os dias? Sim. Fiz uma lista com temas para os 31 dias? Também. Mas o fim de julho me trouxe uma constatação horrorosa: agosto tem potencial para ser pior. Consequentemente sei que não vou dar conta de 31 publicações, mas não significa que vou ficar sumida ou com a programação normal de uma publicação por semana. O meu planner está recheado de compromissos e eu vou tentar registrar parte desse caos aqui (inclusive minha viagem para coletar dados para a dissertação). Para esse BEDA a minha principal meta é continuar encontrando no blog e nessa comunidade um espaço de expressão e criatividade sem as métricas de produtividade malucas que normalizamos graças ao capitalismo.

e vamos de invocar energia para os desafios de agosto

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