Sobre pessoas grandes
25 outubroEsse texto tá saindo depois de dias vivendo um misto de emoções. Faz dias que tenho juntado um monte de coisas para falar e simplesmente não saía por causa dos olhos cheios de lágrimas. Não que eu não esteja chorando enquanto escrevo isso, mas a vontade ficou maior que todo o sentimento e agora eu tento domar tudo isso em palavras. As últimas semanas me fizeram ver como somos grandes, como somos humanos e como temos tanta esperança.
O intuito nem é falar sobre política; inclusive, estou escrevendo enquanto volto do segundo turno torcendo por um país melhor e digno, mas a mobilização que tenho visto me fez lembrar o que nos torna humanos. Para alguém que estudou teoria da evolução humana, me deparei com vários teóricos debatendo sobre em que momento nos tornamos humanos. Somos homo sapiens sapiens, mas o que nos tornou humanos? Seria a prática de enterrar seus mortos? Ou cuidar dos mais vulneráveis, como crianças e idosos? Ou ainda a boa e velha partilha de conhecimento (fofoca) para dominar o ambiente e facilitar a ocupação? Quando eu penso em tudo isso, só consigo pensar que somos humanos porque somos coletivos. Podemos concordar e discordar, mas, acima de tudo, respeitar. Podemos trocar conhecimento, palavras de carinho, conselhos, ombro amigo e a esperança em um país melhor.
Às vezes é meio complicado estar em alguns coletivos, quando a divergência resulta em ódio, inclusive ódio a determinados coletivos. E fica fácil cair na emboscada da solidão; fica fácil começar a se questionar e duvidar de coisas que são como uma bússola que norteia suas ações. Tomo essa bússola como ato de lucidez, determinei meus pontos cardeais e não negocio. Aponta para onde meu coração está em paz, para onde minha mente está tranquila, onde a minha consciência descansa e onde mora o ideal de quem quero ser. Assim eu sigo, lembrando de quem sou, onde quero chegar e quem veio antes de mim. É assim que me sinto grande, quando lembro que tudo o que sou hoje é fruto de decisões e falta de oportunidade de tantos que existiram antes de mim. Quem eu sou hoje é mais coletivo do que individual; mesmo quando estou só, não estou.
E se somos coletivos, onde é o nosso lugar? Certamente nem todo lugar nos caberá; às vezes a família deixa de ser um coletivo saudável, outras vezes, grupos de amigos... Somos plurais e temos beleza nisso, temos a possibilidade de caber em diversos lugares, desde que falem sobre amor. Assim, sempre seremos grandes e nunca estaremos sós.



.gif)
0 comments
Sinta-se livre para deixar um comentário! Caso não apareça a caixa de comentário, recomendo abrir a página no formato web/desktop