Sobre as cigarras que ouço da janela | Resumão de fevereiro e março

Outro dia fui tomada pelo estranhamento ao ouvir um som familiar. Não segui o fluxo de questionamento de como algo familiar pode despertar e...


Outro dia fui tomada pelo estranhamento ao ouvir um som familiar. Não segui o fluxo de questionamento de como algo familiar pode despertar estranhamento, apenas me debrucei na janela e observei o crepúsculo e a sinfonia das cigarras. Apesar de familiar, fui acometida por nostalgia. Várias memórias da infância com sabor de fruta do pé, o fim da tarde com brinquedos espalhados no quintal, um chamado para o banho e o início de encerramentos. Se encerrou o dia, as brincadeiras, o verão, e as cigarras cantam porquê logo logo encerrarão suas vidas. No outro dia, com sorte eu encontraria sua casca para brincar de assustar minha irmã, sem saber que eu e as cigarras estávamos começando novos ciclos. Só agora nessa janela, entendi que entre os ciclos que vivo, chegará o dia de deixar para trás minha própria casca, a enxurrada de chiados trouxe a realização de que a casca que protegia também tinha o poder de limitar, e até onde permanecer em um envólucro é benéfico em nome do medo metamorfizado em segurança?

Quando o resumão sai nesse estilo dobrado significa que foram dias corridos e só agora pude tirar um tempo para digerir tudo e organizar numa lógica que está entre a cronologia dos fatos e os fatos em si, vividos em horas, sobrevivendo às semanas e suspirando com algum alívio no fim do mês. Houve carnaval, estive nele em alguns poucos dias nos shows de artístas incríveis (Rachel Reis, você é a melhor!), também houveram dias dedicados aos estudos, na verdade a maioria deles, afinal, aluno de pós graduação não tem férias, é SABOR férias. Por aqui o sabor foi com toques de comitê de ética e uma pitada de TCC da especialização, essa mistura um tanto quanto indigesta ainda está entalada na minha garganta com a falta de resposta do comitê e a falta de orientação da especialização. Uma delícia né?

Com o novo semestre vieram novas questões e estou buscando uma abordagem mais ótimista e resolutiva, não quero me queixar, e aqui entra novamente as cigarras. Sempre que chego na universidade elas estão lá com seu chiado, no primeiro dia de aula até parei alguns minutos para ouvir e observar o campus, dessa vez não lembrei da infância, mas de uma época onde ouvia da janela um pica pau e as vezes um cancão. Dessa janela eu olhava uma paisagem diferente, com sons diferentes e desejava estar exatamente onde estava naquele primeiro dia de aula. É nisso que tenho pensado enquanto respiro fundo e faço uma lista com todas as demandas e seleciono as prioridades.

No âmbito das coisas divertidas, e agora refletindo sobre elas, percebo a nostalgia como um grande centro. Com a entrada da novela Rebelde no catálogo da Netflix, decidi rever depois de vinte anos e por muitas vezes me senti uma conservadora ao me questionar meio estarrecida como deixaram uma criança assistir tudo isso. Revi o anime Romantic Killer que é uma obra prima, assisti O agente secreto e inclusive escrevi sobre ele (confere aqui!), obviamente assisti a segunda temporada da live action de One Piece e agora estou monotemática com o lançamento de Steel Ball Run, irritada com o fato de que a Netflix está fazendo o desfavor de esquartejar o anime em partes que vão sair em uma data mistériosa. Eu só queria assistir a temporada do Jojo perseguindo um cara para pegar nas bolas dele.


Entre as leituras, sigo fazendo a técnica dos 30 minutos de leitura do dia, e como estava me sentido exausta resolvi me agraciar com a releitura da Light Novel de Under the oak tree, com o manhwa caminhando para o fim da primeira temporada, resolvi reler a segunda temporada e foi maravilhoso! A segunda temporada tem momentos engraçados, interações divertidas entre os personagens e uma construção individual do casal que culmina para o diálogo tão sonhado entre os fãs. Tenho vontade de falar mais sobre essa história, mas por não haver tradução oficial para o português fico meio desanimada. Li Maya Angelou pela primeira vez e estou empolgada para ler mais coisas dela, principalmente poesias. Tenho planejado voltar com o desafio  Lendo a Bahia  e como estou empacada na escolha e curadoria das leituras, vou pensar em formas de facilitar as decisões com sorteios.

Comprei livros novos, fiz planos para o mês que vem que incluem publicações extras aqui no blog. Tenho sentido uma certa insegurança e um pouco de medo. Mas acho que isso é viver, né?

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